Fernando Finanças

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Posts com Tag ‘recessão técnica’

PIB cresce 1,9% no segundo semestre de 2009 com relação ao primeiro semestre

Publicado por fernandofinanças em Setembro 14, 2009

O PIB cresceu 1,9% no segundo semestre de 2009 com relação ao primeiro semestre de 2009, está 1,5% negativo em 2009 e 1,3% positivo nos últimos 12 meses. Abaixo segue tabela com resumo dos resultados do PIB:

pib 2009

Na comparação com o primeiro trimestre de 2009, o crescimento da despesa de consumo das famílias aumentou 2,1% (fruto do pacote de estímulo econômico com a redução de ipi de automóveis, de bens da “linha branca” etc), as exportações cresceram 14,1% e as importações 1,5%.

Comparando o 1° semestre de 2009 com o mesmo de período de 2008, somente o setor de serviços apresentou resultado positivo, com crescimento de 2,4%. A indústria decresceu 7,9% e a agropecuária 4,2%.

Na indústria todas as atividades apresentaram desempenho negativo em comparação com 2008. A indústria de transformação decresceu 10,0%, construção civil -9,5%, eletricidade e gás, água, limpeza e esgoto -4,0%, extrativa mineral -0,8% – com destaque para a retração da extração dos minérios ferrosos em 27,4% e aumento da extração de petróleo e gás em 5,9%.

O quadro abaixo resume as principais atividades e indicadores:

Fonte: IBGE

Fonte: IBGE

Embora a realidade para a indústria seja de reduções de posições de estoques e aumento da capacidade instalada, ainda não há sinais de recuperação econômica nos Estados Unidos e Europa. Contudo, alguns fatores que estão atuando como coadjuvantes estão impactando e mostrarão resultados no curto e médio prazo, a saber:

a) aumento das exportações de suco de laranja para os EUA devido a vitória na OMC – Organização Mundial do Comércio – das práticas de subsídios desleais aos produtores daquele país;

b) aumento das cotas hilton de exportações de carnes bovinas nobres para a Europa e avanço no atendimento das exigências fitossanitárias por parte de mais fazendas, inclusive de pontos mais críticos como a rastreabilidade dos animais;

c) aumento na cotação do petróleo;

d) queda na produção de trigo na Argentina e África;

e) Desestímulo da atividade siderúrgica na China;

f) aumento da demanda doméstica pelo 23° trimestre consecutivo;

g) redução do volume dos estoques;

h) aumento da capacidade produtiva.

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RN perde 11.620 postos de trabalho em 2009

Publicado por fernandofinanças em Setembro 4, 2009

Segundo dados do Ministério do Trabalho, o RN perdeu 11.620 postos de trabalho (saldo entre contratações e demissões) em 2009. A tabela abaixo expõe as contratações e demissões por setor:

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego - M.T.E.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego - M.T.E.

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CNI pleiteia nova política de desenvolvimento industrial

Publicado por fernandofinanças em Junho 25, 2009

A CNI, Confedereção Nacional das Indústrias, a mais importante entidade da sociedade civil organizada que representa a indústria brasileira, se reuniu em 23/06/09 e avaliou os resultados do primeiro ano da Política de Desenvolvimento Produtivo, sugerindo aperfeiçoamentos.

Segundo o documento, foi constatado pela análise dos impactos da crise financeira internacional nos diversos segmentos da atividade economica brasileira, que a indústria sofreu os efeitos mais intensos. Para reverter esses efeitos, a CNI propõe a criação de instrumentos que ativem a demanda, elevem a produtividade e competitividade internacional. Caso contrário, os efeitos negativos da crise irão recrudescer e tornará a economia menos preparada para enfrentar o pós-crise.

Segue abaixo um resumo das recomendações e preocupações do relatório emitido pela CNI:

- Reduzir a oneração das exportações e dos investimentos;

- Incrementar a estrutura e a competitividade – essa última oriunda de uma reforma parcial no sistema tributário – da indústria;

- Adaptação dos instrumentos financeiros para criação de capital de giro;

- Adoção de medidas reforçadoras e incentivadoras de investimentos na indústria;

- Criação uma agenda legislativa que foque em ações de elevar a competitividade e crescimento da indústria;

- Analisar cuidadosamente algumas iniciativas legislativas que podem minar a capacidade das empresas de gerar empregos como por exemplo a redução da jornada de trabalho; e

- Priorizar a agenda da desburocratização e avançar nos debates sobre o papel e os impactos dos mecanismos de controle e fiscalização principalmente na área ambiental, que têm desestimulado as decisões de investimento no setor.

Os seguintes fundamentos econômicos são considerados como sólidos e necessários pela entidade:

- Equilíbrio fiscal de longo prazo;

- Estabilidade da moeda;

- Equilíbrio das contas externas; e

-Respeito às regras da economia de mercado.

De todas as observações feitas pela CNI, a única que analiso com reservas é a de desburocratização da fiscalização e controle ambiental, tendo em vista o grau elevadíssimo de corrupção e de pilhagem de tudo o que for possível de ser obtida alguma vantagem financeira no nosso sofrido país. A fauna e flora brasileira em toda a sua diversidade e recursos é um tesouro único, que já sofre com roubo e devastações de toda sorte.

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Enquanto isso, com os outros países membros do BRIC

Publicado por fernandofinanças em Junho 24, 2009

Vamos agora comparar a situação do Brasil com relação aos demais países do grupo BRIC (B=Brasil, R=Rússia, I=Índia, C=China)

Rússia

As ações das empresas russas acumulam queda de mais de 20% somente em junho, configurando a Rússia como um dos mercados mais voláteis do mundo. Investidores apontam os problemas estruturais da economia russa como causadores do agravamento da crise, e que causará uma falência significativa de grandes empresas a partir do segundo semestre, visto que a crise ainda não foi mais intensa devido a elevação do preço do petróleo em 2009 em quase 95%. Fato que não deve se sustentar por muito tempo devido à fraca demanda pela commoditie e fortalecimento do dólar. Vários setores importadores já apontam a queda na demanda interna, como, por exemplo, o de carnes – oriundas principalmente do Brasil.

Índia

As ações das empresas indianas despecaram 1,4% puxadas pelas quedas das ações do banco ICICI, pela empresa de tecnologia INFOSYS, e da indútria tabagista ITC Ltda. A queda do índice foi amortizada pela valorização das ações da gigante energética Reliance Industries, e pela exploradora estatal de óleo Natural Gas Corp. A Reliance Industries tem a maior representatividade na formação do índice da bolsa de valores. O índice de confiança na economia nacional está elevado e os investidores expressam confiança nas reformas econômicas feitas pelo governo, o que ocasionou a valorização do índice em 28,3% em maio, maior alta em 17 anos. A reeleição de alguns membros do parlamento, que trabalham em reformas de abertura de capital e fortalecimento das vendas das estatais energéticas e de extração de óleo, trouxe confiança aos investidores.

China

Se arrastam desde 2006 reformas financeiras importantes na China. Contudo, com o advento da crise financeira internacional, essas reformas serão aceleradas durante os próximos três anos. De 2002 até 2008 as exportações chinesas cresciam em média 27% ao ano.  Com a recessão internacional – e principalmente nos EUA, seu principal cliente -, os chineses terão que se adaptar a um crescimento das exportações em torno dos 5% de 2009-2012. Para assegurar um crescimento bruto da produção doméstica em 8%, a China terá que empreender reformas no mercado interno para compensar o que foi perdido nas receitas de exportações. Para tanto, duas ações são primordiais: 1) Desestatizar e não intervir na indústria doméstica, despolitizando-a e possibilitando que as mesmas sejam mais eficazes e competitivas, 2) empreender em larga escala uma reforma financeira que possibilite melhorar a alocação de investimentos, fazendo com que o crescimento da economia decorra de forma mais rentável. Atualmente, para combater a crise da oferta de crédito internacional, a China disponibilizou junto aos grandes bancos nacionais, linhas de crédito voltadas para as pequenas e médias empresas, que sentem mais dificuldades para obtenção de crédito e dar continuidade em programas de crescimento.

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Reação da economia brasileira cap 3: o aumento do emprego formal

Publicado por fernandofinanças em Junho 23, 2009

Conforme divulgado pelo MTE no mês de maio de 2009 o saldo entre contratações e demissões foi positivo em 131.557 vagas em todo o país. Durante todo o ano de 2009 o saldo está positivo em 180.011 e nos últimos 12 meses, positivo em 580.269.

Embora que, das 131.557 vagas, 52.927 vagas criadas em maio foram destinadas a colheita de safra na agropecuária, que se extinguem após o seu término, 44.029 vagas foram criadas no setor de serviços, 17.407 em construção civil e 14.606 no comércio, que tendem a ter uma permanência maior do trabalhador sob contratação formal.

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Reação da economia brasileira cap 2: a ascensão da economia doméstica

Publicado por fernandofinanças em Junho 19, 2009

O volume de vendas e de receitas do varejo no Brasil em abril/09 em comparação com abril/08 cresceu 6,9% e 13,0% respectivamente, na série com ajuste sazonal.

No primeiro quadrimestre de 2009, foram registrados elevação de 4,5% e de 10,6% no volume de vendas e em receita, nessa ordem.

Contudo, na comparação entre abril/março de 2009 apenas duas das oito atividades do varejo apresentaram taxas de variação positivas para o volume de vendas Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo + 0,8% e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação +8,9%. Apresentaram resultados negativos as atividades de  Combustíveis e lubrificantes -0,8%, Tecidos, vestuário e calçados -1,7%, Móveis e eletrodomésticos -2,0%, Artigos farmacêuticos, médicos e ortopédicos -1,0%, Livros, jornais, revistas e papelaria -2,7%, e Outros artigos de uso pessoal e doméstico -2,4%. No geral, esse desempenho negativo está fortemente influenciado pelas restrições de crédito, crise de confiança, e crescimento do preço de compra acima do IPCA.

Segue abaixo, tabela contendo os resultados por atividade.

ibge varejo 1 quadrimestre 2009

Abaixo, as contribuições estaduais para o volume de vendas comparando abril/09 e abril/08.

ibge varejo 1 vendas por regiao 2009

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Reação da economia brasileira cap 1: o avanço das exportações

Publicado por fernandofinanças em Junho 18, 2009

A segunda semana de junho de 2009 traz uma notícia animadora segundo dados do Ministério do Comércio Exterior: a balança comercial nesse período traz um superávit de US$ 737 milhões em apenas 4 dias. O volume de exportações totalizou US$ 2,508 bilhões e as importações um total de US$ 1,771 bilhão.

O acumulado das exportações da primeira quinzena do mês de junho/09 foi de US$ 6,042. Esse total representa 75,8% do volume total exportado em todo o mês de junho/08.

No ano, o acumulado das exportações foi de US$ 61,526 (redução de 22,4% com relação ao mesmo período de 2008). As importações acumularam em 2009 a soma de US$ 50,209 (redução de 28% comparado com o mesmo período de 2008). O saldo da balança comercial até a segunda semana de junho/09 totaliza US$ 11,317 bilhões (aumento de 18,4% com relação ao mesmo período de 2008).

Destaques:

1) semi-manufaturados: açúcar bruto, celulose, couro e peles.

2) básicos: devido à alta das cotações das commodities soja em grão e petróleo, aumento nos embarques de minério de ferro e carne bovina

3) manufaturados: etanol, laminados planos, óleos combustíveis, óxidos e hidróxidos de alumínio, motores e geradores.

Comércio exterior é feito com competência pelo setor empresarial nacional, que aproveitou o período de baixa demanda internacional desde o início da crise em setembro/08 e ajustou suas operações para essa nova realidade. Tornou-se mais competitivo internacionalmente. E estamos no caminho certo. O nosso presidente tem feito visitas a países e blocos econômicos importantes para deslanchar acordos comerciais bilaterais, posto que, com o fracasso da rodada doha de regulação comercial global, essa é uma alternativa para atração de divisas externas. Contudo, não nos esqueçamos: temos que desenvolver a economia internamente, fortalecendo a geração de emprego e renda, aumentando o volume de investimentos em infra-estrutura e em educação, fazendo reforma tributária e combatendo a corrupção.

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Recessão técnica?

Publicado por fernandofinanças em Junho 10, 2009

Tenho recebido alguns comentários de amigos blogueiros me perguntando se fiquei pessimista com o desenrolar da crise, tendo em vista os últimos posts do blog. Bom, primeiramente, temos que ser realistas: realmente não fomos atingidos por uma marolinha e sim por uma “tempestade de verão”. Desemprego, queda na produção industrial e nas exportações abalaram a economia brasileira, – como tenho postado desde 20/09/08, sobre queda do PIB para 2009.

Podíamos realmente estar em uma situação um pouco mais favorável do que estamos hoje, se o governo tivesse sido mais incisivo e menos político-eleitoreiro e não tivesse alocado tantos recursos em despesas correntes com pessoal, por exemplo, e tivesse focado em investimentos como os previstos no moroso PAC, Programa de Aceleração de Crescimento,  o que movimentaria a economia, aquecendo a produção das indústrias – conforme postamos em 19/02/09. A redução do do volume de investimentos em formação de capital fixo já no quarto trimestre de 2008 foi de 81% comparado com o terceiro trimeste do ano passado. Esse fato, contribuiu para a atual estagdeflação que enfrentamos hoje. Mas como em todos os posts, reitero que nossa situação é bem mais favorável que a de vários países desenvolvidos ou em desenvolvimento, pelos fatos que abordaremos a seguir.

Segundo dados do IBGE, a nossa economia está em recessão técnica. Recessão técnica ocorre quando durante dois trimestres seguidos há redução no PIB de uma determinada economia. No último trimestre de 2008 a redução do PIB foi de -3,6% e no primeiro trimestre de 2009 -0,8%.

No primeiro trimestre de 2009, conforme postamos em 23/04/09, as empresas produtoras ajustaram estoques devido a queda na demanda e para fazer caixa o que representou queda de 13,5% na produção industrial. Contudo, houve aumento no consumo doméstico de 3,8% em volumes e de 10,15% em receita, sinal que a demanda interna continua aquecida. Fato comprovado, pois o setor de serviços cresceu 0,8% no período. Receio que poucas economias no mundo tenham esses números.

Foram acertadas algumas medidas adotadas pelo governo como redução da taxa selic para estimular o crédito, e redução de IPI para o setor de automóveis e do segmento da “linha branca” ou eletrodomésticos.

Essas ações asseguraram milhares de empregos e reduziram as demissões. E não tenham dúvida, mais importante que elevação da renda da população, no atual momento é mais sustentável para a nossa economia redistribuir renda, criar e assegurar empregos, diminuindo a desigualdade social, possibilitando menor dependência das transações internacionais e fortalecendo a base de nossa economia com o consumo doméstico e com o fortalecimento das empresas.

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