Fernando Finanças

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Enquanto isso, com os outros países membros do BRIC

Publicado por fernandofinanças em Junho 24, 2009

Vamos agora comparar a situação do Brasil com relação aos demais países do grupo BRIC (B=Brasil, R=Rússia, I=Índia, C=China)

Rússia

As ações das empresas russas acumulam queda de mais de 20% somente em junho, configurando a Rússia como um dos mercados mais voláteis do mundo. Investidores apontam os problemas estruturais da economia russa como causadores do agravamento da crise, e que causará uma falência significativa de grandes empresas a partir do segundo semestre, visto que a crise ainda não foi mais intensa devido a elevação do preço do petróleo em 2009 em quase 95%. Fato que não deve se sustentar por muito tempo devido à fraca demanda pela commoditie e fortalecimento do dólar. Vários setores importadores já apontam a queda na demanda interna, como, por exemplo, o de carnes – oriundas principalmente do Brasil.

Índia

As ações das empresas indianas despecaram 1,4% puxadas pelas quedas das ações do banco ICICI, pela empresa de tecnologia INFOSYS, e da indútria tabagista ITC Ltda. A queda do índice foi amortizada pela valorização das ações da gigante energética Reliance Industries, e pela exploradora estatal de óleo Natural Gas Corp. A Reliance Industries tem a maior representatividade na formação do índice da bolsa de valores. O índice de confiança na economia nacional está elevado e os investidores expressam confiança nas reformas econômicas feitas pelo governo, o que ocasionou a valorização do índice em 28,3% em maio, maior alta em 17 anos. A reeleição de alguns membros do parlamento, que trabalham em reformas de abertura de capital e fortalecimento das vendas das estatais energéticas e de extração de óleo, trouxe confiança aos investidores.

China

Se arrastam desde 2006 reformas financeiras importantes na China. Contudo, com o advento da crise financeira internacional, essas reformas serão aceleradas durante os próximos três anos. De 2002 até 2008 as exportações chinesas cresciam em média 27% ao ano.  Com a recessão internacional – e principalmente nos EUA, seu principal cliente -, os chineses terão que se adaptar a um crescimento das exportações em torno dos 5% de 2009-2012. Para assegurar um crescimento bruto da produção doméstica em 8%, a China terá que empreender reformas no mercado interno para compensar o que foi perdido nas receitas de exportações. Para tanto, duas ações são primordiais: 1) Desestatizar e não intervir na indústria doméstica, despolitizando-a e possibilitando que as mesmas sejam mais eficazes e competitivas, 2) empreender em larga escala uma reforma financeira que possibilite melhorar a alocação de investimentos, fazendo com que o crescimento da economia decorra de forma mais rentável. Atualmente, para combater a crise da oferta de crédito internacional, a China disponibilizou junto aos grandes bancos nacionais, linhas de crédito voltadas para as pequenas e médias empresas, que sentem mais dificuldades para obtenção de crédito e dar continuidade em programas de crescimento.

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Relatório do FMI prevê recessão global profunda e de lenta recuperação

Publicado por fernandofinanças em Abril 23, 2009

O relatório publicado pelo FMI em 02/04/09 prevê que a economia global vai desacelerar -1,3% em 2009 com relação a 2008. A previsão inicial para 2009 era de crescimento de apenas +0,5% mas com os desdobramentos da crise na Europa e Ásia os números foram revistos.

A crise já desponta como a pior queda da economia global desde a Segunda Guerra Mundial, episódio que arrasou boa parte da Europa e Japão, maiores potências econômicas da época. As perdas financeiras estão orçadas em $ 4,1 trilhões até o fim de 2010.

Para a China, o FMI prevê crescimento de 6,5% em 2009 e de 7,5% em 2010. Para a Índia, as previsões são de 4,5% e 5,6% respectivamente. O apontamento de que os preços ao consumidor caíram 0,2% em 2009 e cairão mais 0,3% em 2010 não expressa toda a realidade atual visto que as exportações do ramo siderúrgico da China para a América Latina está subsidiada pelo governo daquele país, de forma que outros players internacionais como EUA e Brasil, entraram com processos antidumping na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a China que está praticando competição deslelal de preços. As exportação chinesas desse produto cresceram 90% em 2009 e as brasileiras decresceram aproximadamente 40%.

Para o Brasil, o FMI prevê que em 2009 o país terá crescimento negativo de 1,5% devido a queda de cotações de nossas commodities. Para 2010 o crescimento seria de 1,6%.

Um fato importante que precisa ser considerado é que o processo de ajuste de estoques que sinalizaram uma queda de no volume de 13,5% na produção industrial embora tenha tido ocorrido aumento de 3,8% no volume de vendas e de 10,15% na receita (comparando  fev/09 com fev/08) é um sinal que a economia doméstica está aquecida. Essa redução no volume de produção, serviu para escoar estoques e fazer caixa, deixando o patrimônio das empresas mais líquido. Portanto, como o consumo doméstico está aquecido e ainda temos alguns meses de isençao de IPI para a indústria automobilística e cuja isenção se extenderá em breve para todo o segmento industrial da ”linha branca” (geladeiras, freezers, máquina de lavar roupas etc) teremos sim forte expansão da atividade industrial já a partir de abril.

O cenário ficará mais favorável se a OMC acatar e impor sanções à China caso ela insista em intervir politicamente em assuntos que são na verdade de regulação das forças do mercado. Além dos produtos siderúrgicos, os produtos têxteis estão invadindo os mercados e pressionando as empresas com concorrência desleal devido aos altos subsídios e baixos custos de produção, visto que a qualidade dos direitos trabalhistas na China ainda é bastante precária.

Bem como, a partir da inversão dos pólos financeiros – originada na atual crise – que tradicionalmente concentravam os investimentos nos países desenvolvidos mas que agora direcionam um volume maior de investimentos nas economias emergentes como o Brasil (prática conhecida como Carry Trade), podemos contar com a confiança do investidor internacional a partir até mesmo do respaldo do presidente dos EUA, Barack Obama, com a injeção de capital em nossa economia. O fato tem gerado altas consistentes nas cotações das ações nacionais. Contudo, a fragilidade da especulação a partir do Carry Trade é que o atrativo é pura e simplesmente o retorno obtido pelas altas taxas de juros em comparação com países desenvolvidos e de estarmos sob os holofotes do mundo financeiro. Mas a partir da publicação do relatório do FMI a possibilidade de ocorrer fuga de investimentos principalmente no curto prazo é considerável.

Não sou tão otimista como a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que projetou crescimento de 2,0% em 2009. Acredito em um crescimento entre 0,5% e 1,0% pois os números de nossas exportações estão em queda exponencial em vários setores como carne, siderúrgia, petróleo, agrícola, e têxtil. E não há mudança no curto prazo na elevação da demanda internacional por esses setores.

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Fim do modelo de crescimento econômico da China

Publicado por fernandofinanças em Setembro 30, 2008

A maior crise financeira desde a Grande Depressão de 1930 provavelmente causará muitos anos de enfraquecimento do modelo de crescimento econômico da China a partir das exportações.

Diante da fracasso do plano de resgate de Wall Street pela Câmara dos Estados Unidos, não há ainda outra alternativa para solução da crise de crédito, o que causará recessão na economia global sem precedentes e difícil de prever quando irá acabar e quais as sequelas globais que irá deixar.

Para o continente asiático, uma grave consequencia da crise já é inegável. Com a iminente recessão americana, a queda do consumo enfraquecerá as exportações da Ásia para aquele país.

A crise da queda na demanda dos Estados Unidos para o continente asiático é um problema urgente, visto que o mercado bursátil da China está se descapitalizando rápido demais e com a já prevista diminuição nas taxas de crescimento econômico, o consumo de produtos como commodities, minerais e agrícolas oriundos de outras partes do mundo também vão cair, bem como as contas da balança comercial entre esses países e a China.

A bolsa de Xangai acumula uma perda de 64% de 16/07/07 até agora. A dependência da Ásia pela necessidade de equilíbrio dos mercados internacionais para absorção de suas exportações não dá muito dinamismo à sua economia para consumo interno e afeta sobremaneira o desenvolvimento econômico da região.

A iminente crise da Ásia é vista por muitos especialistas como mais destrutiva que a crise do subprime americana, devido à intricada interdependência das balanças comerciais dos países com a China, principalmente.

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