Diante da instabilidade política e econômica na américa do Sul, o Brasil está aquartelado nas trincheiras de uma caserna geopolítica montada pelo “socialismo do século XXI” idealizado pelo presidente da Venezuela, Hugo Cháves, em consonância com os vizinhos Bolívia e Equador.
Invasões militares nas bases da Petrobrás na Bolívia, expulsão da empresa brasileira Odebrecht no Equador, são tidos como “contra-peso” face à “dominação política e hegemonia do Brasil no continente.” As ações desses países embasadas com uma retórica de defesa dos interesses nacionais é a volta à década de 1970, marcada por ditaduras militares em nosso continente, só que agora, o nosso país é associado ao eixo-do-mal-do-neo-liberalismo, por termos o maior PIB do continente e um parque industrial mais avançado.
As reuniões do Mercosul também parecem uma partida de futebol clássica: Brasil x Argentina. As divergências estratégicas entre os países são gritantes principalmente no tocante à política de comercialização para fora do bloco:
1) a Argentina acredita que o bloco deve criar uma Tarifa Externa Comum (TEC) para importação de produtos - principalmente asiáticos – de forma a proteger o bloco da invasão desses produtos nesses tempos de crise,
2) A Argentina tem objetivado proibir acordos bilaterais de seu rival Uruguai com os EUA,
3) A Argentina incluiu diversos produtos brasileiros numa lista alfandegária que será controlada e sobretaxada para barrar nossas exportações para aquele país
4) e na Rodada Doha – em julho desse ano- a Argentina se opôs a todas as propostas de redução de tarifas industriais. Ou seja, as reuniões do Mercosul, são na prática, uma torre de Babel de interesses e vaidades políticas também.
Ora, a recessão é mais drástica e destrutiva quando os países se fecham comercialmente, elevando taxas e inibindo a fluidez do capital que combateria a própria recessão, como na crise de 1929.
Temos que instaurar mecanismos de adaptação competitiva para todo o bloco. Mecanismos institucionais estabelcidos e voltados para adoção de medidas de salvaguarda cambiais ou de políticas industriais, que ajustem o mercado entre os integrantes. Só a partir da regulação, os investidores voltarão a acreditar em projetos entre os países do bloco sem o temor que novas estatizações e expatriações ocorram, garantindo, também, que não haja sobreposição de nenhuma economia sobre as demais.