Da organização inicial das atividades humanas de caça e coleta à atual economia de mercado global, a raça humana experimenta e proporciona uma transformação deveras veloz dos meios da produção da vida material, principalmente nos últimos 200 anos com o advento da revolução industrial.
Nesse contexto, o estresse pode ser definido como essa resposta dos organismos vivos às adaptações e às situações de fuga e luta advinda de fatores físicos e psíquicos, bem como ao processo formado por uma complexa cadeia de reações fisiológicas e psicológicas que possibilitam que o organismo supere o fator estressor e reestabeleça a homeostase, ou condição anterior mais relaxado.
Ademais, de acordo com a intensidade e a duração do estímulo estressor, a percepção do mesmo acarretará a somatização de doenças físicas e psíquicas, bem como um quadro de deficência atitudinal que propicia a ocorrências de acidentes graves ou fatais e desempenho insatisfatório.
O stress ocupacional se correlaciona diretamente com a satisfação laboral do indivíduo. Dentro de uma abordagem estimulante, desafiadora, o stress tem caráter motivador e recebe a denominação de eustress. Contudo, quando contém exigências excessivas e prolongadas causa desgaste físico e emocional e é denominado distress.
Contudo, o desencadear do processo de resposta do organismo depende da percepção que o organismo faz do evento, influenciado pela experiência passada com o mesmo evento ou similar a este, do contexto onde o evento ocorre e das características de personalidade do indivíduo.
O estresse possui três níveis diferentes de manifestação que são resultantes do sucesso na eliminação ou controle pelo ser da situação estressante: 1) fase de alerta, onde ocorre uma excitação do sistema nervoso simpático, rico em neurônios secretores dos neurotransmissores norepinefrina e encefalina, que atuam sobre os terminais nervosos do sistema nervoso autônomo, sobre a medula das adrenais (secretando adrenalina para realizar glicólise), e ativa o córtex cerebral, que controla a tomada de decisão e raciocínio, 2) fase de resistência, quando há a liberação e catalisação do hormônio corticosteróide cortisol, consumindo as reservas de gordura e proteína para produzir energia, e 3) fase de exaustão, onde pela duração ou exposição prolongada e intensa aos agentes estressores, aparecem as doenças decorrentes da incapacitação do sistema imunológico.
Esses estressores de longo termo acabam por produzir efeito contrário da potencialização metabólica quando da exposição prolongada aos agentes, como por exemplo destruição de neurônios da região CA1 do hipocampo (responsável pela memória), infertilidade, aumento da pressão arterial, inibição do crescimento, lesões musculares (incluindo as doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, ou DORT), redução da eficácia do sistema imunológico, doenças cardíacas, além de interferir substancialmente para o desencadeamento de outras enfermidades como diabetes, doenças da tireóide e transtornos psiquiátricos.
Dentro do ambiente de trabalho, podemos identificar, dentre outros, os seguintes fatores ou agentes estressores: chefia insegura ou incapaz, políticas governamentais, autoridade mal delegada, bloqueio de carreira, conflitos entre colegas de trabalho, organização deficiente do ambiente de trabalho, má administração, protecionismo, salário inadequado para satisfazer a ambição individual, falta de motivação, e desconhecimentos das responsabilidades entre outras.
Diante dessas variáveis, as características da personalidade do indivíduo determinará a intensidade da reação frente ao agente estressor. Existem na bibligrafia especializada dois tipos de personalidades, a do tipo A predispostas a sentir constantemente raiva e hostilidade, que enfatiza realizações pessoais, urgência de tempo, competitividade excessiva, a do tipo B, que possui valores opostos a do tipo A. Um dos maiores desafios da ciência administrativa é indubitavelmente administrar pessoas, visto que para administrar pessoas, as fundamentações para a experimentação empírica só são possíveis via “sinapse” entre os pressupostos administrativos com outras ciências, como as ciências psicológicas, sociológicas e até mesmo as biomédicas.
As características da personalidade em interação com a situação estressora acarreta um enfrentamento pelo indivíduo a partir de dois padrões distintos, mas correlacionados, de estresse: o eustress e o distress.
O eustress é padrão de estresse que possibilita ao indíviduo uma resposta positiva e adaptativa a situação estressora. É um agente motivador de desempenho, e proporciona a sensação de bem estar e satisfação, mesmo que decorrente de um esforço abrupto.
A psicologia e sociologia não conseguiam intervir, explicar e prever os comportamentos dos indivíduos, até avançarem com as “sinapses” entre si e com a ciência biológica na década de 80.
Identificar e correlacionar o stress, a satisfação, absenteísmo, a motivação e o desempenho profissional dos colaboradores, aplicando projetos intervencionistas para que propiciem produtividade e a maximização da riqueza dos acionistas da empresa é um objetivo estratégico que em um mercado cada vez mais competitivo fará a diferença na produção de bens e serviços de altíssima qualidade, com maior eficácia, mas com menos custos e desperdícios e com mais qualidade de vida para todos os envolvidos: acionistas, colaboradores, clientes, fornecedores e sociedade.