Fernando Finanças

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Como a falta de investimento em logística e infra-estrutura atrasaram o desenvolvimento do RN

Publicado por fernandofinanças em junho 14, 2011

A não priorização nas últimas décadas dos itens abaixo, nos levaram a uma infra-estrutura precária para a indústria, prejudicando a logística da força produtiva do estado com impacto na cadeia de custos, prejudicando a competitividade em âmbito nacional e internacional das empresas locais.

Essa infra-estrutura precária impacta na nossa economia além da competitividade da indústria instalada. A competitividade do estado em si também é afetada na atração de novas indústrias, reduzindo a complexidade e amplidão de nosso parque industrial.

Em termos sociais, o impacto é negativamente significativo:

Exportações: economia baseada em produtos primários = poucas indústrias = poucos empregos.

Importações: economia baseada em produtos industrializados = poucas indústrias = poucos estabelecimentos comerciais = poucos empregos.

Fonte: MDIC

Fonte: MTE

 

1) Fortalecer a educação pública: educação pública de qualidade é fundamental na geração de emprego, renda e riqueza de uma sociedade.

2) Infraestrutura e Logística:

2.1) Infra-estrutura

2.1.1) Estradas: condições precárias prejudicando o tráfego de pessoas/mercadorias e/ou estradas não duplicadas:

a) BR 110 trecho Alto Oeste – Seridó.  Empresas listadas do setor têxtil, químico, alimentos, artefatos plásticos, construção civil;

b) BR 226 trecho Natal – Seridó (Tangará). Empresas listadas do setor têxtil;

c) BR 101 trecho RN – PE (São José de Mipibu) em obras de duplicação. Empresas listadas do setor têxtil, alimentos, construção civil, metalurgia, artefatos plásticos.

2.1.2) Terminal pesqueiro de Natal: com mais de 40 mil pessoas empregadas diretamente, o terminal pesqueiro da Ribeira em Natal, precisa ampliar a fábrica de gelo, construir novas caixas d’água e equipamentos de transporte do pescado. Contudo, devido a configuração estreita típica das ruas da Ribeira, é necessário a construção de um viaduto até a avenida do contorno para o escoamento dos produtos, junto ao porto de Natal. A obra está orçada em R$ 18 milhões e ainda não tem licitação. O RN, um dos três maiores exportadores de pescado do país, perdeu em 2010 mais de 40% do volume exportado comparando com 2009, quando exportou 28,7 milhões de quilos. Atualmente, todo o pescado é descarregado em cais privados, que possuem, via de regra, limitações de espaço, onerando as operações do setor. A previsão de conclusão das obras e instalações do Terminal Pesqueiro, que estavam previstas para conclusão em Abril/11, foram adiadas para Agosto/11. Atualmente, o porto está situado à margem direita do Rio Potengi. Com as últimas obras de dragagem, o leito do rio passou a ter 12 metros de profundidade, mas isso ainda é insuficiente para o tráfego de embarcações de cargas maiores.

Foto: Google

 

Há uma proposta de construção de um terminal portuário na margem norte do rio Potengi, cuja obra está orçada em R$ 1,5 bilhão e que se configuraria no melhor porto do Nordeste. Mas ainda não há nenhuma intenção formal de concretizar esse projeto.

2.2) Logística

2.2.1) Aeroportos: O aeroporto intermodal de São Gonçalo do Amarante teve aprovação do Ministro do TCU, Sr Valmir Campelo, da concessão da parceria público-privada dia 13/04/11 com a liberação de R$ 51 milhões para as obras. O investimento total necessário será de R$ 1,5 bilhão. O aeroporto terá capacidade de desembarque de 5 milhões de passageiros por ano, capacidade semelhante aos aeroportos de Salvador(BA) e Fortaleza (CE), com capacidade de expansão para desembarque de 40 milhões de passageiros por ano. O aeroporto possui um conceito inédito no país: de aerotrópolis, ou seja, uma cidade aeroportuária, com hotéis, metrô, ônibus e ferrovias para o porto de Natal, transformando-se em ponto estratégico na logística do país por ser o ponto mais próximo da Europa. A previsão é que as obras sejam concluídas até a copa de 2014.

2.2.2) Transporte ferroviário de cargas: não há… Embora seja estratégico para a logística de recebimento/escoamento da produção dos distritos industriais de Extremoz e Parnamirim. A figura abaixo ilustra a linha férrea existente para o transporte de passageiros, operada pela CBTU-RN.

Foto: CBTU-RN

 

3) Desenvolvimento das potencialidades econômicas das regiões do Estado

3.1) Zona de Processamento de Exportações ZPE

Dentro de seus objetivos, as ZPE´s visam atrair investimentos, reduzir desequilíbrios regionais, promover difusão tecnológica e gerar emprego. Elas funcionarão como áreas de livre comércio com o exterior, sendo destinadas à instalação de empresas voltadas para a produção de bens a serem comercializados no mercado internacional, que contam com incentivos fiscais e cambiais diferenciados para aquisição de bens e serviços através da suspensão de IPI, COFINS e PIS/PASEP no mercado interno. Já na importação, há isenção de Imposto de Importação, IPI, COFINS, PIS/PASEP e AFRMM (Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante).

Dentro dos requisitos para operação das empresas nas Zonas de Processamento está destinar no mínimo 80% da produção para exportação.

 

Implantada em vários países, a ZPE é vista como pólo de desenvolvimento regional, de industrialização e geração de emprego e renda.

 

Temos duas resoluções junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior para a criação de duas ZPE´s no RN. A resolução CZPE nº 4 de 26/05/10 para a ZPE do município de Macaíba e a resolução CZPE nº 11 de 10/09/10 para a ZPE do  município de Assu. Já foram constituídos os grupos administradores das duas ZPE´s. Mas ainda não há nenhuma empresa operando.

3.2) Projeto Baixo Açu

O Projeto Baixo Açu compreende uma área de 6.000 ha integrando agricultores, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos e empresários, que com pesquisa e experimentação, objetivam desenvolver o potencial agrícola da região. Para tanto, faz-se necessário a disponibilização de infra-estrutura e regularização fundiária, pendentes há mais de 20 anos, quando a área foi criada.

Hoje, o Assu é o maior produtor de melão do país, com potencialidades de desenvolver a produção de mamão, manga e banana.

4) Da extração de Petróleo para o refino de derivados e produção de gás natural

O RN, que já foi o maior produtor de petróleo em terra, perdeu seu posto. O resultado levantado pela ANP de abril de 2011 aponta os poços terrestres de Urucu, Leste do Urucu e Carmópolis como os três maiores produtores terrestres de petróleo e gás. Os campos Potiguares respondem por 2,9% de todo petróleo e 3,1% de todo o gás natural produzido no país. Nesse mês, foram produzidos 61.350 barris/dia de petróleo e 1.855 m3/dia de gás natural. Foram descartados 4% da produção de gás natural (queima). O RN recebeu R$ 25,84 milhões de royalties em março de 2011.

Atualmente, o RN possui uma refinaria, a Refinaria Clara Camarão, capaz de processar 30 mil barris/dia. Com obras iniciadas em 2009, a Clara Camarão já está em fase operacional e após a conclusão ainda em 2011 das obras em andamento, poderá refinar o dobro de petróleo por dia. Contudo, dificuldades logísticas com o escoamento de granéis inviabilizam o desenvolvimento da capacidade de refino. Problema este que só será solucionado com a construção de terminais oceânicos em Porto do Mangue ou Areia Branca.

Esse gargalo logístico do escoamento do refino é um entrave operacional e acima de tudo econômico para o desenvolvimento do refino no estado. A atividade de refino gera mais empregos, industrialização e desenvolve uma cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. O estado de Pernambuco, mesmo sem representatividade na produção de petróleo, possui a refinaria Abreu e Lima que iniciou as suas obras em 2007 e tem prazo de conclusão para 2012. A Refinaria Abreu e Lima terá capacidade de processar 230 mil barris de óleo por dia.

5) Energia eólica

O RN já desponta como o maior gerador de energia eólica do país. Contudo, a geração de energia eólica por si só não gera muitos empregos. É preciso desenvolver localmente uma cadeia de fornecedores de componentes e prestadores de serviços, como há no porto de Suape (PE). Infelizmente, nós esbarramos mesmos gargalos logísticos de tráfego desses componentes via porto, inviabilizado essa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços localmente.

6) Turismo

O RN investe muito pouco na divulgação de suas atrações turísticas comparando com outros estados aqui do nordeste. Dados que postei em 2008 mostram que enquanto o RN gastou R$  1 milhão na promoção do estado, a Paraíba gastou R$ 65 milhões e Pernambuco R$ 100 milhões.

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